''As riquezas naturais de Arcos''
Postado em Quarta, 11 de Abril de 2007 (15:18:28) por bbbbbbbbb
Arcos e suas Orquídeas
Por:Paulo Henrique Oliveira de Souza
Situada no centro-oeste de Minas Gerais, na região do Alto São Francisco, a 210 km de Belo Horizonte e 550 km de São Paulo, Arcos possui hoje cerca de 35.000 habitantes. Foi fundada em 17 de dezembro de 1938, mas por causa da grande religiosidade de seus munícipes tem-se o dia 16 de julho como a data mais importante em homenagem à sua padroeira – Nossa Senhora do Carmo.
O município de Arcos possui uma área de aproximadamente 514 km2, uma altitude média de 730 m e a temperatura média anual varia em torno de 20 ºC. A vegetação predominante é a mata de cerrado.
O nome “Arcos” surgiu historicamente por causa dos arcos de barris que os tropeiros deixavam na margem do córrego (hoje Rio Arcos) para indicar o rumo da estrada boiadeira para o sertão da Farinha Podre (hoje Triângulo Mineiro).
Arcos ainda conserva suas antigas capelas, antigos casarões e monumentos históricos como cruzeiros e muros de pedras construídos por escravos há alguns séculos atrás.
A cidade conta com uma hidrografia bastante extensa encabeçada pelo Rio São Francisco que banha a região rural de Itaoca. Seguem no: Rio Arcos, Rio Candongas, Rio São Domingos, Rio São Miguel, Rio Santana, Rio Preto, Córrego das Almas e Córrego Santo Antônio.
Fazendo parte do Complexo Rochoso Bambuí, que é uma grande cadeia montanhosa de pedra calcária, Arcos possui grande quantidade de pedreiras dessa rocha. Essas pedreiras escondem enormes quantidades de cavernas e grutas, cravejadas de artes rupestres. Foi em uma dessas cavernas que se encontrou um animal pré-histórico uma preguiça gigante que vivia nessas terras há milhares de anos atrás.
Às margens desses rios e córregos e impregnadas nas pedreiras de calcário habitam uma grande quantidade de orquídeas, que é o objetivo maior desse texto. Podemos destacar alguns dos gêneros encontrados:
Aspásia, Barbosella, Brassavola, Bulbophyllum, Campylocentrum, Catasetum Cattleya, Cleistes, Chranichis, Cyrtopodium, Encyclia, Epidendrum, Habenaria, Ionop-sis, Laelia, Leptotes, Liparis, Maxillaria, Miltônia, Myoxanthus, Notylia, Octomeria, Oeceoclades, Oncidium, Pleurothallis, Sarcoglottis, Schomburgkia, Sophronitis, Stanhopea, Trichocentrum, Vanilla. A Organização Ecológica Arcoense– ECOARCOS – foi fundada em seis de ou-tubro de 2004, com os seguintes objetivos:
Coordenar e incentivar estudos sobre as condições de vida, reprodução e habitat das orquídeas, principalmente as de Minas Gerais;
Promover cursos, ciclo de palestras e conferências para a divulgação dos conhe-cimentos sobre orquídeas e suas condições ecológicas;
Zelar pela preservação das espécies naturais e seus habitats, inclusive pelo estímulo ao cultivo das espécies ameaçadas de extinção;
Promover, incentivar e publicar o estudo sistemático das orquídeas de Minas Ge-rais, mantendo relacionamento e convênio com entidades similares e instituições científicas;
Colaborar com entidades ligadas à ecologia, públicas ou privadas, na defesa e preservação dos habitats das espécies nativas de Minas Gerais;
Agir contra o comércio clandestino de orquídeas, acionando os órgãos competentes e promovendo cursos de conscientização junto às escolas e onde for necessário e oportuno;
Promover, dentro de suas possibilidades e em convênio com entidades públicas e privadas, a reimplantação nas reservas florestais disponíveis, de exemplares das espécies extintas ou em vias de extinção;
Promover o convívio e reuniões entre orquidófilos, realizando conferências, visi-tas a instituições, exposições, congressos, simpósios e outras manifestações culturais. A ECOARCOS é atuante na cidade através de exposições realizadas, palestras, pesquisas, levantamentos e também através de participações em exposições promovidas por outras associações com o intuito de divulgar as várias formas de cultivo dessa maravilhosa representante da flora arcoense que é a orquídea.
Apesar do governo municipal apresentar projetos de preservação ambiental, ainda existem várias mineradoras que exploram essas pedreiras descontroladamente. Essas empresas estão explorando de forma cada vez mais agressiva as pedreiras calcárias onde estão localizados os principais habitats das orquídeas.
Numa das pesquisas realizadas em um habitat local onde Cattleya, Bulbophyllum, Pleurothallis, Barbosella e outros gêneros convivem em harmonia, onde a natureza nos proporciona imagens maravilhosas. Encontramos uma árvore cujos troncos se vêem marcas da destruição e agressão causadas pelo homem para arrancar as orquídeas que ali viviam. Durante a pesquisa encontramos por todo o caminho agressão ao meio ambiente, alguns sacos plásticos, garrafas, latas de cerveja e refrigerante jogados nas margens do rio.
Ao acabar a pesquisa, já nos retirando desse local, encontramos uma prova do crime contra as orquídeas: uma folha de uma Cattleya bicolor. Essa folha não caiu naturalmente da planta mãe! Com certeza ela foi arrancada. A pessoa que retirou essa Catleya do habitat não soube nem fazer o corte correto da planta. Deve ter arrancado com violência e essa folha se desprendido. A ECOARCOS dá o grito de alerta: “SOCORRAM NOSSAS ORQUIDEAS”. Somente com uma política ambiental mais atuante é que conseguiremos salvar as orquí-deas da região. Com o apoio dos órgãos competentes (IEF, IBAMA, Prefeitura Municipal, CODEMA) a ECOARCOS poderá atuar na preservação e salvamento (ser for o caso) de orquídeas em áreas ameaçadas ou prestes a serem desmatadas.
A Equipe FBPRO agradece ao amigo e professor mestre em Física, orquidófilo e membro da Organização Ecológica Arcoense – ECOARCOS, pela matéria enviada
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